QUE A PAZ CHOVA NO MUNDO

SoniaNogueira

Arte e Emoção Caminhando

Meu Diário
26/09/2010 18h42
* O PEIXE E O PESCADOR


 O Peixe e o Pescador

Ah, como é bom meu habitat, isto é, o mar. Nada se compara a este imenso lar espaçoso, água com temperatura a gosto do freguês, alimento farto, mesmo uns engolindo os outros, faz parte da sobrevivência, coisas da natureza, inquestionável à nossa vontade.

Não fosse por aquele pescador caduco que nos persegue. Perseguia-nos, mas graças a Divina providência suas forças o abandonaram e espero que suas mãos hábeis à nossa cata e, para saciar sua fome, fiquem inertes e nos deixem em paz.

Mas, pensei torto, eis que vem vindo, Sentou-se a beira do mar, olhar distante, pensamento indeciso, talvez adquirindo coragem para voltar ao barco, atirar aquela isca assassina e feito viciado irrecuperável, nós os habitantes deste recinto, disputamos na dentada o petisco traiçoeiro.

Vou ser mais esperto, abocanho o naco e jogo o velho no mar e então servirá numa lauta mesa ao jantar desta noite com convidados especiais, os tubarões.

Xi estou sangrando,  solta-me velho asqueroso. Ajudem-me! Um cardume de companheiros veio em meu socorro, mas num solavanco inesperado, o velho jogou-me dentro do barco. Fitamo-nos. Eu com olhar de piedade, de vítima sem recursos, ele com olhar de glória, de vencedor sênior, visto que a força voraz da juventude fora-se no decorrer dos anos.

Senti piedade em seus olhos como se a conquista o tornasse sensível a ponto de me amar. Aproveitei a fraqueza, sim, amor é fraqueza de sentimentos, os perversos são secos, não amam. Dei um salto tão forte que quase chego ao fundo do oceano. Respirei fundo para oxigenar as guelras, voltei à tona e lá estava o naco de carne, loucamente avancei de um salto.

É assim, repetimos o mesmo erro várias vezes, mesmo achando que maturidade e sabedoria, são lições a longo prazo. Engano.

Desta vez cai no laço, exausto e sem forças. Eu estava estirado na areia da praia um vento acariciante sobre minha pele, olhares admirando-me saboreando no paladar, a fritura com cebola. O velho desmaiou de tanta emoção, mostrando ao povo a façanha da força dita decrépita.

Ainda ouvi vozes. – Ele mede dois metros, que pescado fabuloso e com os olhos embaçados vi a língua de o locutor massagear os lábios sentindo o paladar aguçado. 
O velho cansado tocou meu corpo alisando-o como objeto de conquista, mesmo sendo a última.

Alguém falou: A mesma força de quando derrubava no braço o adversário. A juventude foi-se, porém na mente a vontade de não perder força, equilíbrio e lucidez.
O mundo escureceu, cumpri a missão alimentar o humano Insaciável.

sonianogueira

Texto publicado no jornal "O Povo". Jornal do leitor, 25/09/2010

 
http://www.opovo.com.br/app/opovo/jornal-do-leitor/2010/09/25/noticiajornaldoleitorjornal,2044558/o-peixe-e-o-pescador.shtml

Obs. O jornal não faz revisão de texto. No meu texto do

Jornal há dois erros na minha digitação:
notei é noite/ volte é voltei



Publicado por Sonia Nogueira em 26/09/2010 às 18h42
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08/08/2010 15h33
*HOMENAGEM AO ABRAÇO


          
            
   Homenagem ao Abraço

O Abraço Literário tem ganhado destaque. É um encontro não só de escritores, mas de pessoas que gostam da companhia de amigos, que apreciam literatura. Os textos são variados. Fazemos leituras de Contos, Crônicas, Frases, Pensamentos, Poesias. Apresentamos biografia e livros de autores cearenses, brasileiros ou internacionais, com o objetivo de engrandecer o conhecimento da arte literária, fomentar a sede do saber, tendo à frente dos trabalhos a coordenadora Lucia Marques Medeiros, do SESC Fortaleza.
                No II Congresso de escritores, organizado pelo chocalheiro Eriberto Cavalcante, no Liceu do Ceará em Fortaleza,

 

 O ABRAÇO LITERÁRIO/SESC É HOMENAGEADO NO II CONGRESSO DE ESCRITORES, POETAS E LEITORES DO CEARÁ, COM O TROFÉU DESTAQUE CULTURAL 2010.

 

 A Biblioteca Raquel de Queiroz do SESC, serviu da estampa para a foto dos abracistas, José Ednardo, Lúcia Medeiros, Edna Gomes, Carlos Roberto, João Silas, Elizabeth Albuquerque, Lúcia Crisóstomo, Sonia Nogueira, Wilemar, Terezinha Studart.



SoniaNogueira


Publicado por Sonia Nogueira em 08/08/2010 às 15h33
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12/07/2010 09h16
*SÁBADO CULTURAL
                
                           Colégio Justiniano de Serpa

                   Sábado Cultural

O Centro Cultural banco do Nordeste tem uma agenda cultural de terça-feira a sábado para adultos e domingo dedicado as crianças. A arte está presente no cinema, musicais, teatro, exposição de artes plásticas, cursos e danças. Todos com entrada franca. Todos os sábados às 15h há Percursos Urbanos. Sábado dia 10 foi um Passeio com Milton Dias. Há um mediador que durante o percurso apresenta a biografia  e lê os textos do referido autor.

O trajeto iniciou no Centro cultural a daí partimos para a última morada do autor, o cemitério Parque da Paz. Local que aboliu os antigos túmulos, apenas uma pequena laje e flores. Olhado para o espaço grandioso morado dos mortais parece um jardim, onde reina o silêncio e a contemplação, do nada somos, apenas pó e restos que nem a terra traga, dentes, unhas e cabelos. O mediador, escritor Silas falcão fez a leitura de contos.

Em seguida fomos a casa onde residiu, em frente ao Colégio Justiniano de Serpa, vendida e modificada. O escritor Carlos Vasconcelos fez a leitura de um texto seu homenageando o escritor.

José Milton de Vasconcelos Dias nascido em 1919, Ipu Ceará, faleceu em Fortaleza 1983. Bacharel em direito (1943), Letras (1966), professor secundário no CE e SP, tradutor,  diplomado em letras neolatinas. Cursou Faculdade de filosofia. Técnico educação UFCE,  secretário UFCE, prof. Titular de Literatura Francesa, UFC. Contista, cronista, ensaísta,   orador, jornalista, fundador e membro do Grupo Clã-movimento renovador das letras  cearenses. Membro da Academia Cearense de Letras e Associação Cearense da Imprensa.  Foi colaborar de revistas e jornais (O Povo, F.) Prêmio Cidade de Fortaleza.

   EU ME DIVIRTO

 

       com uma boa estória colhida no cotidiano (não com anedotas). Eu me divirto com crianças, pássaros, circo. Com teatro e cinema (bons)

                                                       EU COLECIONO
        pára –choques de caminhão. Epitáfios. Prosa e verso sobre sinos. Estórias de domesticas. Prosopopéia
.

 

 

Sonia Nogueira










Publicado por Sonia Nogueira em 12/07/2010 às 09h16
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07/07/2010 10h01
*DENTRO EM MIM
              
                 *Dentro em Mim

Nem todos os dias nos encontramos com o nosso eu, não o eu pessoa, este ás vezes, nos perdemos diante do mundo apressado, de pessoas sem ética, de palavras que agride na calada do olhar e do pensamento, mas do eu interior.

 Vasculhei em todos os lugares e vi quantos obstáculos temos que vencer na caminhada fingida dos passageiros. Sorriem sem sorriso interno, apenas para disfarçar a inveja ou postar diante de nós vários empecilhos. Já atravessei barreiras, pulei muros, arredei o lixo, limpei o caminho, transpus a ponte, atravessei o rio numa grande enchente de águas turvas e quando chego do outro lado uma cerca de arame farpado.

Ah, sorri cortei com a tranquilidade dos justos, a palavra da verdade. Nada embarga um caminho quando a mensagem é de paz, amor, amizade e fé. Mas, qual fé? Qual verdade? A fé no poder da amizade, de uma força superior, inexplicável, misteriosa que a mente humana especula e nunca obtém uma resposta. Este é o segredo da vida. O mistério que perturba tantas mentes “ditas sábias”.

Aliás, a sabedoria é arma dos humildes, nunca se acham sábios. O aprendizado é constante, as verdades estão no abismo de cada um, num “achismo” sem lógica. As ciências humanas são mutáveis. A cada geração um novo olhar, outra perspectiva, as mudanças correm a passos largos, não espera o sinal abrir avança o sinal vermelho, quebra a cara, levanta e continua tentando nem sempre acerta, mas a tentativa faz parte.

Voltei, abri os olhos o pensamento pousou no horizonte sem fim e percebi que tudo continua; o sol fingindo que nasce, fingindo que morre; as horas nem alteram seu caminho, as primaveras obedecem ao enigma da natureza não sabemos se o telhado vai encharcar de água, a terra vai mendigar sede, as ondas tragar multidões, um acidente bem ali acontecerá, a loja do vizinho receberá a visitar de um lalau inesperado, uma criança boiará no rio ou a mente continuará fingindo que tudo está bem.

Melhor assim, sofreremos menos. Não podemos cortar o mal pela raiz, limpar a poeira, igualar as mentes, cortar o pedestal...

Caminhemos pelos menos do lado dos justos.

Sonia Nogueira


Publicado por Sonia Nogueira em 07/07/2010 às 10h01
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29/06/2010 15h04
*ESCOLA DO SILÊNCIO


 Escola do Silêncio

Na ACE, Associação Cearense de Escritores, nós temos um encontro em cada útimo sábado de cada mês. Alguns representantes desta associação se prontificam a fazer palestra sobre determinado assunto.

Sábado, dia 26 tivemos a maravilhosa presença do poeta, escritor, ativista pela paz e não violência e um dos coordenadores do projeto “Fortaleza em Paz. É Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil. João Bosco Barbosa Martins.

A palestra foi e não poderia ser diferente, falar sobre “A Paz”. Ele, João Bosco, é todo paz. Parece que a mansidão habita ali, no olhar, no sorriso, nos gestos, no pensamento, no agir. A família, mulher e filha parecem que foram talhadas para acompanhar, conviver e partilhar com o silêncio interior que habita as pessoas desprovidas da agressão que rodeia alguns lares. Do Mundo.

Ouvir este poeta de voz pausada e segura nos transmite pureza de sentimentos, como se o mundo existisse naquele momento somente ali, longe da turbulência da rua, da qual estávamos bem próximos; dos espíritos angustiados pelas drogas, dos crimes sem lógica por apenas um par de calçados ou relógio para suprir a necessidade do organismo faminto de alimento ou de droga.

Pedi um aparte e comentei. Encanta-me sua luta com tanta dignidade e persistência. Quantas etapas dignas de aplausos o homem enfrentou. Da caverna, a subida nas árvores, as palafitas, aos casebres aos palácios; da medicina rude, in natura, ao DNA, ao transplante, a célula tronco nas prováveis curas. Do analfabetismo ao conhecimento dos símbolos, as letras, a cultura do saber.

 Entristece-me saber que o mundo evoluiu de maneira lenta, mais agora com a rapidez da tecnologia tudo corre de forma acelerada, e a civilização por onde anda? A barbárie do primitivismo continua intacta. O muro não deu passagem a ponte da cultura e saber
Nada traz a cura para as guerras, assaltos, ódio, crimes hediondos, pistolagem, ganância pelo poder da cédula, pedestal distante, corrupção, egoísmo, desamor. Mostrar que é melhor que o outro.

A luta pela paz seria inglória? Não, cada um fazendo sua parte chega-se ao todo, basta querer e começar hoje, agora.

João Bosco é palestrante da Cultura da Paz, publica livros, com a renda em prol das casas que necessitam de ajuda financeira. Prevenção a Desnutrição, Lar dos Idosos,  Instituto de Câncer.
 

Diálogo da Paz
 
1.    Lutarás pela paz da Gaia.
2.    Doarás ao outro em nome da paz.
3.    Viverás a palavra de Deus que traz paz.
4.    Prepararás para a paz vinda do coração.
5.    Construirás a paz da distribuição do pão.
6.    Crerás que a paz pode reinar entre os homens.
7.    Buscarás o silêncio da paz dentro de si mesmo.
8.    Vibrarás com a força da paz e não a paz pela força.
9.    Exercitarás a paciência em busca da paz e espírito
10. Será um agente da paz para tornar este mundo melhor.
 
João Bosco
 
No Lançamento do seu livro ”Escola do Silêncio”, com a renda para Peter Pan, Associação de Combate ao Câncer, no Shopping Center, eu recitei este poema.
 
Palavras que Beijam
 
Nem necessita do toque da pele
Que suga no cheiro inalando o ar
Nem duma mão carícia que revele
A maciez acetinada no despertar
 
Beijam as palavras quando no olhar
Guarda o desenho como parte viva
Enamorando versos sem afugentar
Dos lábios a canção sem evasiva
 
Como flor que perfuma no silêncio
Unindo sílaba abraçando frases
Criando laços no decorrer milênio
 
As palavras beijam com sutileza
As mãos que cultuam rimas bases
Vai as minhas no ósculo da leveza
 
SoniaNogueira


Publicado por Sonia Nogueira em 29/06/2010 às 15h04
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